Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida
Estou inconformado com uma matéria que li na Caros Amigos de maio corrente. Nela, João de Barros, o autor da dita cuja, da uma AULA de jornalismo, mas não foi isso que causou minha indignação, obviamente. O que mais choca em "Guerra suja na cidade intolerante" é o fato de que coisas absurdas acontecem sob os nossos narizes todos os dias e sequer notamos. A passividade com que assistimos a certos acontecimentos, me enoja. Tenho raiva do nosso modo de pensar egoísta e de impávida superioridade.
Classe Média Max Gonzaga
Sou classe média Papagaio de todo telejornal Eu acredito Na imparcialidade da revista semanal Sou classe média Compro roupa e gasolina no cartão Odeio “coletivos” E vou de carro que comprei a prestação Só pago impostos Estou sempre no limite do meu cheque especial Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual Mais eu “to nem ai” Se o traficante é quem manda na favela Eu não “to nem aqui” Se morre gente ou tem enchente em itaquera Eu quero é que se exploda a periferia toda Mas fico indignado com estado quando sou incomodado Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão O pára-brisa ensaboado É camelo, biju com bala E as peripécias do artista malabarista do farol Mas se o assalto é em moema O assassinato é no “jardins” A filha do executivo é estuprada até o fim Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal E eu que sou bem informado concordo e faço passeata Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal Porque eu não “to nem ai” Se o traficante é quem manda na favela Eu não “to nem aqui” Se morre gente ou tem enchente em itaquera Eu quero é que se exploda a periferia toda Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida
Escrito por Igor Antunes Penteado às 16h40
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