Nada tanto assim
Po, agora é sério. Eu tenho comentado isso com tanta freqüência entre os meus amigos e familiares, que resolvi escrever um post sobre isso aqui no blog. A situação do mundo está ficando insustentável! Não cabe mais gente nos grandes centros urbanos. E eu não estou brincando.
Embora eu possa estar sendo visto como louco nesse momento, justifico minha afirmação com vários acontecimentos das últimas semanas. Enquanto há 6, 7 anos nós discutíamos congestionamentos de 80 quilômetros achando tudo isso um grande absurdo, hoje, recordes sobre recordes são batidos com engarrafamentos de mais de 200 quilômetros. O metrô, reconhecidamente um exemplo em agilidade e eficiência, vem, nos últimos tempos, enfrentando seguidos problemas técnicos, muito em função do acúmulo de passageiros em suas plataformas nas já conhecidas "horas do rush". Eu que uso esse meio de transporte quase todos os dias posso assegurar que a situação é quase caótica. Como se não bastasse tudo isso, onde quer que você vá, seja shopping, supermercado, cinema, parque, bar, buteco, restaurante, zoológico, o que for, repare: está sempre lotado! A hora que for. E o que caracteriza quase integralmente toda essa multidão? Só consigo responder a essa pergunta de um jeito: a pressa! Todo mundo anda sempre muito apressado. Levanta cedo para ir ao trabalho, almoça correndo para aproveitar à sua maneira os poucos minutos do almoço (que parecem, insistentemente, andar mais rápido nesse período), saem, já cansados, de novo apressados para a faculdade e, já tarde da noite, finalmente retornam aos seus lares para, no dia seguinte, repetir tudo outra vez. Os horários e destinos se alteram em muitos casos, mas o ritmo frenético é quase sempre o mesmo. Note, eu fico cansado só de escrever, não sei como aguentamos isso todo santo dia.
E, como não poderia deixar de ser, relaciono esse momento a uma música. Gravada pela primeira vez no início da década de 80, quando Leoni ainda fazia parte do Kid Abelha, "Nada tanto assim" me soa estranhamente familiar e atual. É só impressão?
Nada tanto assim Leoni / Bruno Fortunato
Só tenho tempo pras manchetes no metrô E o que acontece na novela Alguém me conta no corredor Escolho os filmes que eu não vejo no elevador Pelas estrelas que eu encontro Na crítica do leitor Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Só me concentro em apostilas Coisa tão normal Leio os roteiros de viagem Enquanto rola o comercial Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu tenho pressa E tanta coisa me interessa
Escrito por Igor Antunes Penteado às 16h31
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