Ao ler uma matéria da edição de novembro da revista Caros Amigos, assinada pelo jornalista Mylton Severiano, acabei por tomar consciência de uma injustiça gravíssima, cometida contra uma figura das mais talentosas que a música brasileira já viu. Eu me refiro a Osvaldo de Almeida Gogliano, o Vadico, um dos parceiros mais constantes do sambista carioca Noel Rosa, mas que não leva, nem de longe, a fama de seu parceiro mais ilustre.
Vadico nasceu em São Paulo, no Brás. Aos 16 anos começou a estudar música e, dois anos mais tarde, largou o emprego de datilógrafo e foi tocar piano profissionalmente num hotel fino em Poços de Calda, Minas Gerais. Nesse mesmo ano, ganhou seu primeiro concurso, com a marcha “Isso Mesmo É que Eu Quero”.Aos 21 anos decidiu dedicar-se somente à música e partiu em direção ao Rio de Janeiro.
O primeiro encontro com Noel aconteceu em 1932, nos estúdios da Odeon, onde Vadico sentou-se ao piano e apresentou um samba ao novo amigo. Dois dias depois, Noel voltou com a letra de “Feitio de Oração”, primeira composição conjunta dos dois. A partir daí surgiram parcerias memoráveis como "Feitiço da Vila", "Pra que Mentir", "Conversa de Botequim", "Cem Mil Réis", "Provei", "Tarzã, o Filho do Alfaiate", "Mais um Samba Popular", "Quantos Beijos" e "Só Pode Ser Você". Vadico compôs também com Marino Pinto sucessos como "Prece" e "Súplica", além de, com Vinicius de Moraes, "Sempre a Esperar".
Não cabe aqui contar toda a trajetória desse paulistano que atravessou o mundo com o seu samba. Só achei que devia dedicar um post a Vadico que, desde 1962, ano em que morreu, sofre com essa baita injustiça. Para constatar a beleza musical do samba produzido por esse casamento de genialidades, segue o vídeo de “Feitio de Oração”, interpretado por Maria Rita no “Som Brasil” em homenagem a Noel Rosa.